Incêndio tóxico no Aterro Sanitário de SJN completa uma semana

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Há uma semana o Aterro Sanitário Controlado de São João Nepomuceno, onde é depositado todo o volume de resíduos sólidos da cidade, está em chamas. O auge do problema aconteceu no primeiro dia de trabalho da equipe do prefeito eleito, Ernandes da Silva. Na tarde da última segunda-feira (2), a fumaça tóxica e o mau cheiro cobriram a cidade e provocaram reclamações generalizadas.

O Secretário de Desenvolvimento Urbano (Obras), Milton Salgado, explicou que a causa do problema é um incêndio clandestino no lixo dos últimos três meses, que ficou acumulado na superfície, sem ser aterrado.

Desde que a prefeitura decretou estado de calamidade financeira, em 3 de outubro de 2016, diversos serviços foram paralisados ou reduzidos. A coleta e descarte do lixo foi um desses serviços. O resultado apareceu agora, com o acúmulo de lixo na superfície e um incêndio criminoso para queimar o resíduo.

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Isso mesmo! De acordo com o atual secretário de desenvolvimento urbano da Prefeitura, nos últimos três meses, todo o lixo recolhido em São João Nepomuceno não foi devidamente aterrado. Na última semana de 2016, na terça-feira passada, 27 de dezembro, foi iniciado um incêndio clandestino no lixo exposto. Até agora ninguém sabe sobre o autor.

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Montanhas de lixo queimado.

De acordo com o secretário, uma das primeiras providências tomadas logo que ele assumiu, nesta segunda-feira (2), foi designar uma equipe para cuidar do problema. De acordo com Milton Salgado, água não é suficiente para sanar o incêndio. Precisa que o resíduo seja aterrado. Isso deve acontecer nos próximos dias.

Crime ambiental

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Assim como na questão do esgoto, que é lançado a céu aberto nos córregos em SJN, a cidade também comete crime ambiental por realizar o descarte do lixo de forma incorreta.

De acordo com a norma da Fundação Estadual do Meio Ambiente, FEAM, aterros controlados não são aceitáveis em municípios do porte de SJN. A forma correta para resolver a questão de resíduos sólidos é a construção de uma Usina de Reciclagem e Compostagem ou um Aterro Controlado com Tratamento de Chorume.

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Vista aérea do aterro sanitário de São João Nepomuceno

“Mesmo que estivesse funcionando com 100% de operação, o Aterro Sanitário Controlado de SJN continuaria incorrendo em crime ambiental. As soluções admitidas para cidades do porte de SJN são aterro com tratamento de chorume ou usina de reciclagem e compostagem”, explicou Milton Salgado, em entrevista essa manhã à Rádio Transamérica SJN.

Proposta de solução

De acordo com o atual secretário de obras, as duas alternativas demandam altos investimentos, que estão aquém do orçamento atual da cidade. Por isso ele propões uma terceira via, que é a terceirização da coleta e do descarte do lixo de SJN.

O prefeito eleito, Ernandes da Silva, o vice, Sebastião Barbosa, e o secretário de desenvolvimento Urbano, Milton Salgado
O prefeito eleito, Ernandes da Silva (centro), o vice, Sebastião Barbosa (esq.), e o secretário de desenvolvimento Urbano, Milton Salgado

“Ainda não formalizei essa proposta ao prefeito. A minha intenção é propor que a prefeitura terceirize a coleta de lixo para uma empresa que recolha e de a destinação correta dos resíduos sólidos. Dessa forma não haveria investimento e a cidade deixaria de correr o risco de ser multada por cometer crime ambiental”, declarou o secretário de desenvolvimento urbano.

Video, fotos e reportagem: Diego Camilo

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