Doenças respiratórias: o mal do inverno

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Você já reparou que, em meados de junho, quando o inverno se inicia, é comum observar-se também a alta incidência de algumas doenças respiratórias, tais como gripes, resfriados, amigdalites, sinusites e rinites? O motivo disso é a baixa temperatura, ventos frios, além da baixa umidade do ar durante o inverno e primavera.

Entende-se como umidade do ar, em termos simplificados, a quantidade de água na forma de vapor existe na atmosfera no momento, com relação ao total máximo que poderia existir, na temperatura observada.Os meteorologistas se preocupam com a umidade relativa do ar porque ela representa uma variável meteorológica que pode afetar o organismo de todos os seres vivos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível ideal para o organismo humano gira entre 40% e 70%. Acima desses valores, o ar fica praticamente saturado de vapor d’água, o que interfere no nosso mecanismo de controle da temperatura corporal exercido pela transpiração.

No extremo oposto, tempo seco demais causa danos ainda maiores para a saúde. Além de dificultar a dispersão de gases poluentes, que agravam a situação, provocam o ressecamento das mucosas das vias aéreas, tornando a pessoa mais vulnerável a crises asmáticas e a infecções virais e bacterianas. Baixa umidade do ar deixa também o sangue mais denso por causa da desidratação e favorece o aparecimento de problemas oculares e alergias.

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A baixa umidade agride as mucosas que revestem as fossas nasais e o trato respiratório como um todo. Consequentemente, o muco que ajuda a proteger o sistema respiratório de infecções, se torna demasiadamente espesso dificultado a limpeza das vias aéreas. Assim, as estruturas e células responsáveis pelo transporte do ar na respiração se tornam mais desidratadas em relação ao habitual e inflamam, o que facilita a colonização por vírus e bactérias responsáveis por essas doenças.

Outro fator que contribui para o aumento no número dos casos infecciosos no inverno é a grande exposição a ambientes fechados e menos ventilados. No caso de condições alérgicas, como a rinite, o contato com as roupas de frio que estão guardadas há muito tempo pode agravar os sintomas da enfermidade, uma vez que as vestimentas podem esconder ácaros ou até mesmo mofo.

As faixas etárias que são mais propensas a desenvolver alguma doença respiratória são os extremos de idade como crianças e idosos, que possuem a imunidade mais baixa. Além disso, as pessoas que já apresentam quadros alérgicos devem redobrar os cuidados preventivos para uma maior qualidade de vida no inverno.

doencas mais comuns no inverno

Clique para acessar a matéria do Portal SJ Online “Saiba tudo sobre a Gripe”, com o médico Dr. Renato Souza Gomes. 

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Medidas Preventivas

Dicas de saude para o inverno infografico vertical

  • Manter alimentação saudável

A alimentação saudável repleta de alimentos variados, como frutas e verduras são fontes de vitaminas e sais minerais essenciais para manter uma boa imunidade, sem que haja a necessidade de recorrer à suplementação de medicação.

  • Hidratação

Nessa época do ano, costumamos ingerir menos líquido, principalmente, por causa das alterações sofridas por um hormônio conhecido como ADH, ou antidiurético. Em dias frios, essa molécula desencadeia reações que fazem com que a circulação sanguínea fique concentrada nos vasos centrais para preservar o calor do corpo.

Isso nos traz a sensação de que estamos suficientemente hidratados. Por isso, devemos beber diariamente cerca de um a um litro e meio de água, entre outros hidratantes, ainda que não tenhamos tanta sede.

Embora a ingestão diária da quantidade correta de líquido seja primordial, nem todas as bebidas contribuem com a hidratação necessária nesta época do ano. Opções diuréticas como chá, café, cerveja e refrigerante não ajudam muito, já que, ao invés de hidratar, acabam estimulando a perda de fluído dentro do organismo.

O uso de soro fisiológico nas narinas também retarda o ressecamento das vias aéreas ajudando na respiração.

  • Limpeza do lar

Mantenha a casa limpa, evitando o acúmulo de poeira. Pessoas alérgicas devem evitar cobertores, vestimentas, tapetes e cortinas que soltem pelo. Se possível, evite o uso de vassouras utilizando o aspirador de pó e pano úmido.

  • Evite banhos quentes e demorados

Os banhos podem ressecar demasiadamente a pele, deixando-a propensa a coceiras e vermelhidão. Pessoas que já possuem doenças dermatológicas, como psoríase, devem redobrar a atenção.

  • Umidificadores de Ar

Os umidificadores de ar são muito eficientes no aumento de até 40% da umidade. Porém, o bom funcionamento de um umidificador depende de algumas dicas simples:

  • Sempre colocar o umidificador sobre uma superfície firme, plana e estável;
  • Nunca deixar o umidificador em locais acessíveis a crianças;
  • Nunca usar o aparelho em locais onde haja gases explosivos;
  • Nunca colocar o umidificador perto de fontes de calor, como fogões;
  • Não expor o aparelho à luz direta do Sol;
  • Sempre utilizar o aparelho em temperatura ambiente para evitar danos;
  • Colocar o umidificador longe de móveis e de eletrodomésticos;
  • Não deixar que a saída (bico) de umidade aponte diretamente para uma parede ou eletrodoméstico.

DICA: Bacias com água melhoram a umidade do ar, assim como toalhas molhadas no ambiente, porém não possuem a mesma rapidez na umidificação do ar que os vaporizadores. Também deve-se tomar cuidado com o risco de acidentes domésticos, principalmente com crianças e idosos, com as bacias e a possibilidade do chão molhado.

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(Infográfico: www.ibbl.com.br)
  • Evitar lugares com maior probabilidade de ar poluído

Evitar entrar em contato com fumaça de qualquer origem, ar condicionado ou lugares sem ventilação de ar são medidas importantes para a prevenção de doenças respiratórias

  • Lavar sempre as mãos

Manter o hábito de lavar as mãos com frequência diminui o risco de transmissão de doenças infecciosas como gripes e resfriados.

A melhor maneira de lidar com os problemas respiratórios no inverno é a prevenção. Porém, para as pessoas que já estão sofrendo desses males típicos da estação, o ideal é procurar assistência médica.

A automedicação com descongestionantes nasais, antitérmicos e antigripais, devem ser feitas com cautela, pois podem mascarar sintomas importantes no diagnóstico da doença. Além disso, para que não causem danos mais graves ao organismo, esses medicamentos devem ser usados por curtos períodos de tempo. Ou seja, não fazer uso contínuo.

O tratamento dessas doenças é feito de acordo com os sintomas apresentados. Nos casos mais graves, é necessário o uso de medicamentos que atuem de forma mais intensa na inflamação para o controle dos sintomas. A indicação do tratamento deve ser feita somente por orientação médica.

 Texto: Nayara Fonseca

Farmacêutica da Farmácia Oswaldo Cruz, em São João Nepomuceno

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