No Giro da Bola com Nei Medina - Especial Heleno de Freitas Imprimir E-mail
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05-Nov-2008

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Amigo leitor,  nesta edição, estaremos rendendo homenagens aos familiares e admiradores do nosso conterrâneo mais ilustre, Heleno de Freitas. Neste sábado, completaremos 49 anos do desaparecimento do mito e craque galã ( 08/11/1959). Não falaremos de dramas, insucessos e “loucuras” e sim de alegria, glamour e glórias de um homem que deslumbrou platéias por onde passou. Estaremos publicando textos, fotos e vídeos com depoimentos de amigos e familiares.

HELENO DE FREITAS

Heleno nasceu em 12 de fevereiro de 1920, sua infância foi vivida na Rua Capitão Brás, sendo destaque nas peladas de rua e também no juvenil do Mangueira F.C.

Aos 13 anos, após a morte de seu pai, mudou-se para o Rio de Janeiro, mais precisamente para o posto 6 em Copacabana, na companhia de sua mãe e irmãos. Não demorou muito e já era destaque do futebol de areia do posto 4, comandado pelo técnico Neném Prancha.

Em 1935, foi levado por amigos ao Botafogo e fez sua primeira partida oficial. A impossibilidade de conciliar o futebol com o trabalho na empresa Hime e Cia e, também, com os estudos no Colégio São Bento, o fez interromper momentaneamente sua carreira.

Mais tarde, em 1938, chega ao Fluminense.

Detalhe: a passagem pelo tricolor das Laranjeiras foi importantíssima em sua carreira, pois, até então, sempre se apresentava como jogador de meio campo, e o treinador uruguaio Carlo Magno, vendo sua incrível vocação de goleador, adiantou Heleno para o comando do ataque.

O ídolo Preguinho, ao lado da promessa Heleno de Freitas
O ídolo Preguinho, ao lado da promessa Heleno de Freitas

Em 28 de abril de 1940, faz sua estréia como profissional do Botafogo. O jogo é em São Januário contra o São Cristóvão. Heleno entra no segundo tempo no lugar de Carvalho Leite, o jogo estava 0 a 0 e terminou 2 a 0 para o Botafogo com 2 gols de Heleno. Aí nascia o mito Heleno de Freitas, que ao final deste campeonato foi considerado pelos cronistas esportivos como o centro avante mais clássico, mais técnico e o mais elegante do futebol brasileiro e sul-americano.

   
O mais clássico, técnico e elegante...
O mais clássico, técnico e elegante...
1940 – Surgimento do mito
1940 – Surgimento do mito
   

Aos 24 anos já era o capitão e o jogador mais importante do time do Botafogo. Também, neste ano, teve sua primeira convocação para a seleção brasileira.

Em 1945 defendeu o Brasil no sul-americano em Santiago do Chile. O Brasil não foi campeão, mas Heleno foi o artilheiro da equipe, num ataque que tinha Tesourinha (Internacional-RS), Zizinho (Flamengo), Heleno de Freitas (Botafogo), Jair da Rosa Pinto e Ademir de Meneses (ambos do Vasco da Gama). Este ataque é considerado por muitos, como o mais poderoso que a Seleção já teve. Pelo seu desempenho neste campeonato, recebeu de Ari Barroso o apelido de “Diamante Branco”, pois, já existia o Diamante Negro que era Leônidas da Silva.

1945 - melhor ataque de todos os tempos
1945 - melhor ataque de todos os tempos

O auge da carreira de Heleno foi entre  1942 e 1947 e, infelizmente, devido à 2ª Guerra Mundial não ocorreram as Copas de 42 e 46, campeonatos que o tornaria conhecido internacionalmente, e hoje, com certeza, a história seria contada de maneira diferente.

Boca Juniors

   
1948 - Timaço do Boca Juniors
1948 - Timaço do Boca Juniors
Rápida passagem, marcou 7 gols
Rápida passagem, fez 7 gols
   

Em 1948, deixa o Botafogo rumo a Buenos Aires para jogar no Boca Juniors na maior transação financeira de um jogador até aquela data. Heleno fez sua estréia na Argentina em junho de 1948, o Boca, que pelo campeonato Argentino, não vencia há 8 rodadas, enfrentou e venceu o Banfield pelo placar de 3 a 0. Heleno marcou 2 gols e participou do 3º, mas no vídeo abaixo, Luís Mendes, cronista esportivo da Rádio Globo do Rio de Janeiro, que ao lado do mineiro Geraldo Romualdo da Silva transmitiram pela Rádio Globo este jogo, disse que Heleno teria feito os 3 gols.

"Transmiti com exclusividade a estréia de Heleno de Freitas, famoso jogador daqueles dias, no time argentino do Boca Junior em 1948”. Luís Mendes.



Vídeo: Depoimento do Luís Mendes


 

Heleno no Vasco da Gama

Em 1949, Heleno volta ao Brasil para defender as cores do Vasco da Gama que havia formado o “expresso da vitória”. Machão da Gama campeão de 49, é o único título de campeão carioca que Heleno conquistou.

   
1949 – Campeão Carioca pelo Vasco, mas devido à briga como treinador Flávio Costa, não jogou as finais
Campeão no Vasco
Vasco de 1949 - Campeão invicto
Vasco de 1949 - Campeão invicto
   

Este é o time do Vasco campeão carioca invicto em 1949. Em 20 jogos, foram 18 vitórias e dois empates. Na primeira fila estão: o massagista Mário Américo, um integrante da comissão técnica, Sampaio, Augusto, Barbosa, Wílson, Laerte e dois membros da comissão técnica. Na segunda fila estão: Jorge, Alfredo II, Amílcar Giffoni (comissão técnica), o técnico Flávio Costa, Oto Glória (então membro da comissão técnica), Danilo e Eli. Na terceira fila: Nestor, Maneca, Ademir de Menezes (o Queixada), Lima, Ipojucan, Heleno de Freitas, Chico e Mário.

Infelizmente, em sua passagem pelo Vasco ele briga com o treinador Flávio Costa que também era treinador da Seleção Brasileira e não o convoca para o Mundial de 1950, disputado no Brasil.

Um dia após a derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa do Mundo, Heleno estava no bar Dia e Noite, na rua Cel. José Dutra aqui em São João, e diz o seguinte:

“Seus frouxos, perderam a Copa, apanharam e ainda saíram chorando. Flávio Costa seu filho da ...   Se eu estivesse lá o Brasil não perderia, porque, eu dava um soco na cara do Obdúlio Varela,  nós dois seríamos expulsos e o Ademir ganhava o jogo”. Heleno de Freitas

Heleno jogou 18 jogos pela seleção. Marcou 15 gols
Sul-amaricano de 1946

SELEÇÃO DE 1946 - Em pé: Norival, Ary, Domingos da Guia, Ivan, Rui Campos, Jaime de Almeida e Hermógenes (ropeiro). Agachados: Lima, Zizinho, Heleno de Freitas Jair da Rosa Pinto e Ademir de Menezes. Heleno jogou 18 jogos pela seleção e marcou 15 gols.


 

No depoimento abaixo, Didi “folha seca”

Waldir Pereira nasceu na cidade de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, em 08 de outubro de 1929. Em 1957 assinou contrato com o  Botafogo e, ao lado de outros grandes nomes como Nilton Santos, Garrincha, Zagallo, Gérson, Amarildo e Quarentinha, formou um dos mais fortes planteis da história do futebol brasileiro. Pela equipe alvinegra foram 313 partidas e 113 gols marcados durante 7 anos, mais uma estupenda média.

Pela Seleção Brasileira foram 74 jogos e 21 gols, tendo estreado em 06 de abril de 1952 na vitória sobre o México por 2 a 0. Disputou o Pan-americano de 1954 e 3 Copas do Mundo - 1954, 58 e 62 – sagrando-se bicampeão nas duas últimas edições.

“Em campo, ele era o carrasco dos adversários, que ele humilhava com seu inatingível perfeccionismo; fora dele, era o sedutor irresistível, que circulava pela sociedade carioca dos anos 40 e arrebatava as mulheres. Quis o destino que Heleno jogasse futebol para se tornar o galã de calções e chuteiras, 305 jogos como profissional e 251 gols que valeram por mil”. Ruy Castro

   
Terror dos adversários
Terror dos adversários
Sedutor irresistível
Sedutor irresistível
   


Depoimento de Otávio companheiro de ataque no Botafogo

Octávio Sérgio da Costa Moraes, mais conhecido por Octávio Moraes, foi um futebolista, arquiteto e compositor brasileiro.

Nascido em 09 de julho de 1923 em Belém do Pará. Como jogador de futebol, Octávio Moraes foi atacante do Botafogo de Futebol e Regatas. Jogou ao lado de Heleno de Freitas, Sílvio Pirilo, Paraguaio entre outros. Ajudou o clube, com seus gols, a conquistar seu primeiro título após a fusão: o Campeonato Carioca de Futebol de 1948, onde fazia parte do poderoso ataque alvinegro com; Paraguaio, Geninho, Otávio, Pirilo e Braguinha. Naquele ano, foi o artilheiro do campeonato assinalando 21 gols.

O jogador chegou também a Seleção Brasileira de Futebol em 1949. Pelo Brasil, fez 4 jogos, enquanto era jogador do Botafogo, e marcou 1 gol. É o 7º maior artilheiro do Botafogo, marcando 174 gols em 200 jogos.

Octávio Moraes é considerado por muitos um dos criadores do futevôlei nas praias cariocas.

   
Heleno e Otávio, amigos fora ...
Heleno e Otávio, amigos fora ...
... e dentro de campo
... e dentro de campo
   


Depoimento de Zizinho

Tomás Soares da Silva, mais conhecido como Zizinho, (São Gonçalo, 14 de setembro de 1921) Foi o ídolo de Pelé e jogou como atacante para a Seleção Brasileira. É um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Na Copa de 50 seu estilo de jogar maravilhou os torcedores e ajudou o Brasil a chegar até a final; e mesmo apesar da derrota surpreendente de 2 a 1 para o Uruguai, foi considerado o melhor jogador daquela copa. Zizinho é considerado por muitos o jogador mais completo depois de Pelé, tendo marcado 145 gols pelo Flamengo e 31 pela a seleção.

Zizinho foi considerado por Pelé como o seu ídolo. Tudo porque quando o Rei estava começando a carreira de jogador no Santos Futebol Clube, ele viu Zizinho atuando pelo São Paulo Futebol Clube, em 1957 onde conquistou o Campeonato Paulista daquele ano. Suas atuações impressionaram tanto o futuro Rei do Futebol, que ele sempre o cita como ídolo e inspiração, ao lado de seu pai, Dondinho.

Obs.: No depoimento, Zizinho diz que Heleno nunca brigou com ele. Mas também pudera, Zizinho era bravo ao extremo.



Últimos clubes de Heleno

Em 1950 Heleno esteve na Colômbia defendendo o Atlético Júnior de Barranquilla.

1950 no Atlético Junior Barranquilla da Colômbia
Heleno no Junior de Barranquilla

Em 1951, quis o destino que Heleno, ao jogar a primeira e última partida com a camisa do América-RJ fosse também a primeira e única vez  que pisou o gramado do maracanã como jogador profissional. Infelizmente, saiu expulso de campo, ainda no 1º tempo, e o América perdeu para o São Cristóvão pelo placar de 3 a 1.

   
Heleno estreou no América em 04 de novembro de 1951
Time do América - 1951
1ª vez jogando no maraca
1ª vez jogando no maraca
   

Heleno estreou no América em 04 de novembro de 1951. Em pé: Ivan, Osni, Osmar, Rubens, Oswaldinho e Godofredo. Agachados: Natalino, Dimas, Heleno de Freitas, Ranulfo e Jorginho.

Curiosamente, sua estréia como jogador profissional também foi contra o São Cristóvão em 28/04/1940 e, diferentemente deste jogo, o Botafogo venceu por 2 a 0 sendo os 2 gols marcados pelo craque galã - Heleno de Freitas.

 

Depoimento de Vera de Freitas, irmã caçula de Heleno



Livro e Filme sobre Heleno de Freitas

Heleno de Freitas teve um único filho, Luís Eduardo de Freitas que aparece na foto,abaixo, ao lado do jornalista e escritor Marcos Eduardo Neves que é o autor do livro NUNCA HOUVE UM HOMEM COMO HELENO, uma obra espetacular que relata em 292 páginas, e  nos mínimos detalhes, os dramas e glórias registrados nos seus 39 anos de vida do nosso eterno craque galã. Livro que deu origem ao filme sobre a vida de Heleno de Freitas que começará a ser rodado no início de 2009, tendo Rodrigo Santoro interpretando Heleno de Freitas.

Luís Eduardo de Freitas e Marcos Eduardo Neves
Luís Eduardo de Freitas e Marcos Eduardo Neves

No vídeo abaixo, Santoro fala sobre o filme.

 


 

Outros depoimentos

No vídeo abaixo, Luís Mendes relata que num jogo entre Botafogo e América, o time de Campos Sales vencia o Glorioso pelo placar de 3 a 0, e o técnico do Botafogo estava responsabilizando o Heleno pela derrota. Veja o que aconteceu ...



Jornal do Estado de Minas 1979

“Heleno de Freitas foi o jogador que mais se aproximou de Pelé”

Olhar sempre compenetrado...
Olhar sempre compenetrado...

Marcos Eduardo Neves no Programa do Jô

O jornalista e escritor Marcos Eduardo Neves esteve no programa Jô Onze e Meia quando do lançamento do livro em junho de 2006.  Veja o vídeo:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Virou livro, em breve Filme.
Virou livro, em breve Filme.

 

Notícias de Rodapé

Resultados da VII Copa de Futebol Regional Heleno de Freitas:
Semifinais (Jogos de volta):
Descoberto Minas Clube 2 x 2 Dona Euzébia
Independência 2 x 2 Centenário

Final 1º jogo domingo próximo 09/11 às 16:00h em Guarani:
Independência x Descoberto Minas Clube

Jogo de volta 16/11/08.

Amigo Paulinho Cocão, gostaria de dar melhores notícias do A. A. Centenário,
mas ficará para a próxima competição.

Abraço a todos e até a próxima,

  por Nei Medina

 

Créditos: Milton Neves, Marcos Eduardo Neves (Livro), Prefeitura Municipal de São João Nepomuceno, Marcelo "Foguete" Mendonça, José Carlos Barroso e Eduardo Elias Ayupe Tamiozo.

 

ney_medina.jpgSou Nei Medina, fui um modesto cabeça de área. Pela Rádio Difusora,  participo das jornadas esportivas como comentarista e, nas extintas TV Publicidade e TV WS, apresentei durante 1 ano o programa NO GIRO DA BOLA que deu origem a esta coluna. Aqui, resgatarei os fatos marcantes do esporte mundial, através de fotos ("Em algum lugar do passado"),  áudios de gols ou vídeos esportivos ("Flashback do futebol") e também meus comentários sobre qualquer modalidade esportiva ("Pelo andar da carruagem"), além de destacar as principais competições esportivas de nossa cidade e região.

 

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  Comentários (2)
1. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 11-11-2008 17:38
Show de bola Nei. Parabéns pela coluna, é um giro no passado muito bacana. 
Abraços. 
 
Fernando.
2. Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 24-11-2008 16:46
Caro Nei, 
Sou Amadeu, filho da irmã caçula do Heleno, A vera Freitas, que dá um dpoimento em sua coluna. Achei muito bacana a homenagem e fiquei especialmente emocionado em ver imagens de minha mão na net, pois ela já nos deixou e certamente está em companhia do nosso saudoso Heleno. Parabéns. Gostaria de saber se vc pode me disponibilizar o vídeo dela para que eu possa ter em meus arquivos. Gde Abraço, 
 
Amadeu de Freitas Dourado

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