| A Rua Comendador Gregório |
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| 23-Mar-2006 | ||||
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Quando do período de transição, entre o chamado Estado Novo e a reconstitucionalização do país , o Dr. Francisco Zágari ocupou a Prefeitura Municipal, teve ele oportunidade de baixar o decreto-lei n º 80, de 29 de maio de 1945, que mandava dar o nome de "Comendador Gregório" à "Travessa do Rana", também conhecida por "Rua José Hermógenes", e que ligava à Rua Cônego Reis à Guarda-Mor Furtado. Coube a nós a grata missão de , no Dia do Município, 16 de Maio de 1946, ao ensejo da inauguração da placa da nova rua, falar sobre a personalidade do patrono daquela via pública.
Contáramos, então, que o Comendador Gregório José Gonçalves era filho das plagas lusitanas e que vira a luz do dia na cidade de Vieira, em 28 de julho de 1847. Homem trabalhador, no verdor dos anos, sonhava, como sonhavam então os moços de 21 anos de idade. E foi nessa época que deixou a Pátria-irmã, Portugal, e veio para esta outra, que lhe abriria, carinhosamente, os braços. E fora direto para o então Santa Bárbara, hoje Carlos Alves, começar a vida, com esforço, trabalho insano, mas, acima de tudo, com vontade férrea de vencer. E venceu! Na sede distrital montou um estabelecimento comercial e pouco depois ia, homem do campo que era, para o trato da lavoura. Especializava-se no cultivo do café, de modo que em breve sua propriedade era um ponto de convergência de todos aqueles que desejavam conhecer a maneira correta do cultivo da preciosa rubiácea. Prosperou. Ganhou nome. Anos depois, já amadurecido pela idade, foi busca-lo o grande Carlos Aves para que ocupasse uma das cadeiras de nossa Câmara Municipal, como vereador especial pelo distrito de Santa Bárbara, para a legislatura que iniciaria em 1894. Entretanto, avesso às lides políticas, não se empossou ele no cargo, pelo que foi decretada a vacância de sua cadeira. Um dos sonhos dos habitantes da vila de Santa Bárbara era dota-la de rede de água. E, realmente, só viram concretizadas suas aspirações depois que o Comendador Gregório houve por bem doar o manancial que possuía, em suas terras, que se canalizou para a vila. E foi ele, em pessoa, chefiar a construção da rede de água de Carlos Alves. Financista, também, ele o foi. A prova irretorquível disso está no fato de que, anos depois, o Comendador Gregório fundava, ao lado de outra figuras do mundo financeiro do país, o Banco Mercantil do Rio de Janeiro, estabelecimento de crédito dos mais conceituados de nossa Pátria. Espírito empreendedor, foi ele o fundador do primeiro laticínio de Juiz de Fora, o que mostra bem sua atuação em diferentes campos da atividade humana. Em nossa mocidade, tivéramos oportunidade de auscultar a opinião do jamais esquecido homem público são-joanense – o Dr. Augusto Glória Ferreira Alves, sobre a personalidade do Comendador. Relatou-nos, então, o Dr. Glória a seguinte passagem: Nos idos de 1885, empenhava-se seu saudoso e eminente irmão o senador Carlos Alves, em dotar nossa cidade de uma fábrica de tecidos. Mas, a quem seria entregue a direção administrativa de tamanho empreendimento? Era um posto que necessitava ser ocupado por pessoa que se primasse pela honestidade. Eis senão quando lhe vem à mente o nome impoluto do Comendador Gregório, talhado para a empresa. Entretanto, em entendimentos posteriores, surgia o nome de Daniel de Moraes Sarmento, que, efetivamente, passou a ocupar o cargo. O Comendador Gregório veio a falecer em 17 de abril de 1924, na cidade de Petrópolis, desaparecendo, assim um homem de caráter ímpar, um espirito progressista, de honradez a toda prova. Era justa, pois a homenagem que se prestava a seu nome. Ligando-o a uma de nossas vias públicas. " Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições." Nota:
Texto de autoria de Dr. José de Castro Azevedo.
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