As Praças Dr. Augusto Glória e Barão do Rio Branco Imprimir E-mail
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18-Nov-2005
Quando se aproximavam os últimos dias do Império, nitidamente delineavam em nossa Câmara Municipal duas correntes a dos Conservadores e a dos Republicanos.

Entre esses se destacavam o Dr. Henrique Vaz, que posteriormente se projetaria na política estadual, e o Sr. Prestes Pimentel. Por seu turno, no cenário estadual fulgurava o vulto do Conselheiro Joaquim Saldanha Marinho, que provincial de Minas Gerais. Ressalta-se que Saldanha Marinho ao lado de Quintinho Bocaiuva e Salvador de Mendonça, iniciara o movimento republicano no Brasil. Saldanha Marinho era influente figura no meio maçônico, já tendo ocupado o cargo de Grão-Mestre, pelo que possuía em São João um elevado número de admiradores e de seguidores de suas pregações. Assim é que, na sessão da Câmara, realizada em 20 de agosto de 1889, os então vereadores Dr. Henrique Vaz e Prestes Pimentel apresentavam um projeto em que mandavam se desse o nome de Saldanha Marinho à Praça da Estação. Aprovado o projeto, ao homenageado se deu conhecimento da lei, o que levou Saldanha Marinho a se dirigir à Câmara Municipal, por carta de 9 de outubro do mesmo ano, em que dizia que "a homenagem é um grito aos são-joanenses para que se aliem àqueles que se batem pelos postulados de uma nova ordem, que se espera haver de vir". Realmente, um mês depois, raiava a República. Quem se der ao trabalho de folhear álbuns daquela época verá gravado o nome de Saldanha Marinho na Praça, ao lado de amplos coqueiros, a lhe delinear os contornos. Em 1895, Saldanha Marinho era levado à sepultura. Pouco depois era esquecido pelos são-joanenses.

Por outro lado, desde os princípios do século XX um nome começava a surgir na política são-joanense: o de Doutor Augusto Glória Ferreira Alves. Em 1901, já empossava ele no cargo de Agente Executivo, com um asto plano de governo. Vencido o seu mandato, quis o povo testemunhar-lhe seu reconhecimento. Tanto assim que, em sessão de 1 º de dezembro de 1906, do legislativo municipal, os vereadores Vicente da Costa de Oliveira, Sebastião de Souza Lima e Antônio da Fonseca Lobão apresentavam à Câmara um projeto, que se transformaria na lei 291, de 6 do mesmo mês , no qual o nome da Praça Saldanha Marinho era mudado para Praça Dr. Augusto Glória.

E assim foi até 1917. Naquele ano, em uma das reuniões da edilidade, o vereador doutor Augusto Glória requereu fosse substituída a denominação do logradouro público que tinha o seu nome pelo do grande brasileiro – o Barão de Rio Branco. Devotava doutor Glória profunda admiração pela figura daquele grande estadista e cultuava, respeitosamente, sua memória. Lido o projeto contra ele protestou, em uníssono, toda a Câmara. E a cidade se levanta em coro contra aquele ato. Um abaixo-assinado corre nossas ruas, procurando fulminar o projeto. Tudo em vão. Inflexível permanece Dr. Glória. Para contornar a situação, o vereador dr. Antonio de Moraes Sarmento apresenta emenda ao projeto: que se desse o nome do Barão do Rio Branco à Praça 13 de Maio, mas, que se mantivesse o nome aureolado de Dr. Glória na antiga Praça Saldanha Marinho. Dr. Glória não sabia transigir, se bem pregasse até o fim de sua vida que a política era a ciência de se saber transigir... Parece-nos vê-lo, ainda metido em seu impecável terno de linho branco, colarinho alto, bengala castão de ouro, o rosto a arder em fogo, dedo em riste. Exigia de seus pares a aprovação da proposição, pois "eram irrevogáveis os motivos que o levaram à apresentação daquele projeto e pedia a seus colegas vereadores que o aprovassem por uma consideração à sua pessoa." Diante mesmo de uma possível renúncia à sua cadeira, capitulou a Câmara. Daí o decreto 48, de 13 de outubro de 1917, que mudava para Praça Barão do Rio Branco a denominação da Praça Doutor Augusto Glória.

Em 1946, ocupava o cargo de Prefeito Municipal de São João Nepomuceno o Dr. Francisco Zágari, que se achava ligado à veneranda figura de Dr. Glória pelos mais afetivos laços de estima. Já trôpego, admirava-se nossa gente em ver aquele velhinho de 82 anos de idade quase diariamente, subir a ladeira que demanda o Ginásio para ainda exercer, com profunda serenidade o cargo de fiscal federal junto ao Ginásio S. João e à Escola de Comércio. Por isso mesmo, em 15 de agosto, quando completava Dr. Glória 82 anos de vida, Dr. Zágari, de acordo com as normas então vigentes, apresentou ao Conselho Administrativo do Estado um projeto, com ampla justificativa, de nossa autoria, em que se dava o nome daquele antigo político à praça existente nesta cidade "entre a Praça Cel. José Brás e a Avenida Dr. Carlos Alves, em frente à estação da ferrovia Leopoldina", vale dizer, desmembrando a Praça Barão do Rio Branco em duas partes, a superior e a inferior da linha férrea. Em brilhante parecer do Conselheiro Dr. José Celso Valadares Pinto, com o apoio unânime do Conselho foi aprovado o Decreto-Lei n. 85, que daria o nome de Dr. Augusto Glória, à praça fronteiriça de um lar onde viveu toda a sua existência uma das mais queridas figuras são-joanenses, um fluminense, que, como poucos desta terra, tanto engrandeceu e amou.

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."

Autor: Dr. José de Castro Azevedo

Dr. José de Castro Azevedo

Natural de Palma, Minas Gerais, nascido em 05 de março de 1918. Filho do Desembargador Ananias Varella de Azevedo e de D. Maria José de Castro Azevedo.

Fez seus estudos primários no Grupo Escolar "Cel. José Brás" e iniciou o secundário no Ginásio Municipal, ambos de São João Nepomuceno. Prosegui-os no Ginásio São José e os concluiu no Ginásio Mineiro "Raul Soares", de Ubá.

Fez o curso complementar na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais.

Diplomou-se, em 08 de dezembro de 1942, em Odontologia, pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, quando foi o orador oficial da turma. Representou dita Escola do V Congresso Nacional dos Estudantes (UNE), em 1942, quando advogou a necessidade da reforma do curso odontológico, o que, mais tarde, se tornou realidade. Exerceu a Odontologia por 10 (dez) anos.

Cursou o NPOR, do R.I. , de Juiz de Fora, sendo declarado Aspirante a Oficial do Exército em 25 de agosto de 1944, estagiando no III/ 12 R.I., sendo promovido a 2 º Tentente R/ 2 em 19 de janeiro de 1948. Nessa qualidade, foi diretor do Tiro de Guerra 151, de São João Nepomuceno, do qual é sócio benemérito.

Em 24 de dezembro de 1946, consorciou-se com a doutora Alcéa Cardoso de Azevedo, também diplomada pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, havendo desse enlace os seguintes filhos:

     

  1. D. Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi, professora, casada com o sr. Emílio Luiz Sachetto Vitoi, com duas filhas: Maria Emília e Maria José e três netos: Mariana, Ana Carolina e Thiago.
  2.  

  3. Dr. Luiz Otávio Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria Sirlei de Freitas Cardoso de Azevedo, com três filhos: Luiz Otávio, Maria Cristina e Maria Cláudia;
  4.  

  5. Dr. Luiz Carlos Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria do Socorro Coimbra Cardoso de Azevedo, com quatro filhos: Carla, Cinthia, Luiz Carlos e Cássia. Um neto: João Pedro;
  6.  

  7. Dr. Luiz Renato Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Miriam Henriques de Azevedo, com três filhas: Renata, Roberta e Raquel;
  8.  

  9. Dra. Ana Luiza Cardoso de Azevedo Sousa, cirurgiã-dentista, casada com o Dr. Valério de Oliveira Resende Sousa, com dois filhos: Ana Cristina e José Eduardo.

Em 1952, bacharelou-se pela então Escola de Direito de Juiz de Fora. Advogou, durante 6 (seis) anos, em São João Nepomuceno e Comarca vizinhas.

Após concurso, foi nomeado Juiz de Direito Secional da 4 ª Zona Judiciária do Estado de Minas Gerais, com exercício nas Comarcas de Caratinga, Muriaé, São João Nepomuceno, Mar de Espanha, Guaranhães e Mesquita.
Em 1960, foi nomeado Juiz de Direito de Guarará, onde permaneceu 13 anos.
Às vésperas de sua promoção, para que não fosse extinta a Comarca de Guarará, permutou com o Juiz de Direito de Tombos, onde esteve por quatro dias em exercício. Em 26 de dezembro de 1973, foi promovido a Juiz de Direito de Santos Dumont, sendo removido, por permuta, em 13 de fevereiro de 1974, para São João Nepomuceno.
Em março de 1979, foi promovido por merecimento para a 1 ª Vara de Família da Comarca de Juiz de Fora.

Foi professor da Escola Normal D. Prudenciana, do Ginásio e da Escola Técnica de Comércio de São João Nepomuceno, do Ginásio Dr. Augusto Glória (CNEC), todos desta cidade, Ginásio Nossa Senhora Aparecida, da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, de Bicas, e do Ginásio Castro Alves (CNEC), de Guarará.

Foi professor registrado para o 1 º e 2º ciclos, no Ministério da Educação e Cultura (Diretorias do Ensino Secundário e Comercial) e na Secretaria do Estado da Educação de Minas Gerais (Departamento de Ensino Secundário e Superior).

Foi provedor da Associação de Caridade de São João Nepomuceno, mantenedora do Hospital São João, durante 8 anos, realizando ampla e radical reforma no serviço hospitalar e construindo o Pavilhão São Camilo de Lélis. Foi sócio benemérito da mesma instituição.

Exerceu o cargo de Chefe de Secretaria da Câmara Municipal de São João Nepomuceno e Consultor Jurídico da mesma.

Redator-chefe, durante nove anos e meio, do jornal "Voz de São João", da cidade de São João Nepomuceno.

Em 16 de maio de 1965, recebeu o título de Cidadão Sãojoanense, pelos serviços prestados ao município.

Em 27 de abril de 1974, recebeu o título de cidadão guararense, pelos serviços prestados ao município e à comarca, único, até então, concedido por aquela edilidade.

Em 09 de dezembro de 1983, recebeu o título de cidadão juizforano pelos serviços prestados à comunicade.

Em 26 de dezembro de 1964, recebeu a medalha "Personalidade do Ano", promoção do cronista social RALPH.

Em 04 de setembro de 1981, recebeu o título de "Comendador da Ordem dos Bandeirantes" em homenagem e público reconhecimento de seus relevantes serviços prestados à sua Comunidade no campo das "Atividades Judiciárias".

Em junho de 1964, ao lado de sua esposa, assumiu a Coordenação do Movimento Familiar Cristão, em São João Nepomuceno, Arquidiocese de Juiz de Fora, cargo em que permaneceram até 1967.

Integrou a equipe de Dirigentes de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Juiz de Fora.

Fez parte do II Ciclo de Estudos da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra.

Possuia o diploma de "Sócio Benemérito da Polícia Militar de Minas Gerais".

Foi sócio-fundador do Lions Clube de São João Nepomuceno, onde ocupou cargos de destaque no Gabinete do Governador, em três anos leonísticos, possuindo cerca de 40 medalhas.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora.

Foi membro da Associação Brasileira de Magistrados.

Foi membro da Academia Municipalista de Minas Gerais, como representante de São João Nepomuceno.

Faleceu em 04 de março de 1985.

Trabalhos publicados:

     

  1. São João Nepomuceno em 1942 – Revista em colaboração com o Dr. Geraldo Henriques Cruz.
  2.  

  3. Discurso de Paraninfo – Oração paraninfal pronunciada para os formandos da Escola Técnica de Contabilidade, em 1954.
  4.  

  5. Fazendo História... Excertos para o estudo da vida da Comarca de São João Nepomuceno – 1955 – Opúsculo.
  6.  

  7. Dia do Município – oração pronunciada perante a Câmara Municipal de São João Nepomuceno, quando lhe concedeu título honorífico.
  8.  

  9. Mensagem aos Moços – Discurso, na qualidade de paraninfo dos formandos de 1965, do Ginásio Dr. Augusto Glória.
  10.  

  11. Dr. Augusto Glória Ferreira Alves – oração pronunciada na inauguração do busto daquele homem público, em 16/05/1969.
  12.  

  13. Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz, discurso pronunciado em 27 de abril de 1974, ao receber o título de cidadão guararense.
  14.  

  15. Boa Noite, Amor..., discurso de despedida da comarca de São João Nepomuceno.
  16.  

  17. Por que? , discurso proferido em 09 de dezembro de 1983, perante a Câmara Municipal de Juiz de Fora, em agradecimento pelo título de cidadania recebido.
  18. Série de artigos publicados:

     

  19. A História de Minha Rua... Setenta e um artigos, estudando a vida dos patronos e contando a história de cada rua são-joanense.
  20.  

  21. No Outeiro da Gratidão – Série de sessenta artigos, em comemoração ao cinqüentenário da Escola Normal D. Prudenciana.

(Compilação do Dr. Inocente Soares Leão, com adaptação.)



Nota:

O Portal SJ Online inicia hoje a publicação de uma série de 71 artigos intitulados "História de Minha Rua", de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, grande personalidade que o município jamais esquecerá.
O Dr. José Azevedo se preocupou em narrar a história de cada rua da cidade e assim o fez até seu falecimento em 1985.
O Portal SJ Online agradece à sua filha Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi por ter disponibilizado os textos para publicação na internet, dando oportunidade aos são-joanenses de conhecerem uma parte importante da história do município.





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