| ELES VOLTARAM!!! |
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| 28-Out-2005 | ||||||
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O Playmobil, brinquedo quer marcou a geração que cresceu durante os anos 1980, está de volta ao Brasil. A fabricante catarinense de brinquedos Calesita começou a importar desde o início de setembro o brinquedo da Argentina, e pretende ampliar a distribuição a partir de 2006. Segundo
reportagem do jornal Valor Econômico, a venda dos Playmobils - sumidos
das prateleiras do País há cinco anos, quando a Estrela parou de fabricar os bonequinhos
- ainda é pequena. "Muitos ainda não descobriram que o brinquedo está de volta",
afirma Renato Vacinaletti, diretor administrativo da Calesita. Para impulsionar as vendas, a Calesita tem planos de mídia para o produto, já de olho nas vendas de Natal. A campanha de marketing deve atingir a televisão por assinatura e revistas. O objetivo é vender não apenas para crianças, mas também para os adultos que brincaram com bonecos Playmobil durante a infância.
Se o plano der certo, para 2006 a empresa pode trocar o fornecedor do brinquedo,
passando a trazer os priodutos direto da sede da Geobra Brandstätter, na Alemanha.
Fundada em 1908, a fabricante alemã apresentou o Playmobil em 1974, e desde
então já produziu 1,8 bilhão de bonecos em todo o mundo.
Nesse ano, o Playmobil completou 32 anos de sucesso fora do Brasil. Sim,
eles são mais novinhos que o seu concorrente Lego, mas mesmo assim
têm muito o que comemorar, já que são poucos os que
atingem os trinta anos, com esse corpinho de sete... centímetros.
Tudo começou em 1974, na Alemanha, país onde os bonequinhos
são sucesso até hoje. Na verdade vos digo que eles não
foram os primeiros seres em miniatura produzidos na indústria dos
brinquedos. Desde a Antigüidade, criaturinhas pequenas já
levavam felicidade às crianças, como os famosos soldadinhos
de chumbo. O tempo passou, e a criançada continuou apreciando brinquedos
pequeninos, embora os materiais tenham mudado com o passar dos tempos.
O plástico, material rei das últimas décadas, é
a matéria-prima dos bonecos Playmobil, e, indiretamente, é
o culpado pelo seu nascimento. Ou, melhor dizendo, o petróleo,
material daonde provém o plástico, é o verdadeiro
culpado pelo nascimento dos pequeninos. A primeira grande crise do petróleo,
que ocorreu em 1973, ocasionada pelos países árabes produtores
do líquido preto do capitalismo (aquele outro que não é
a Coca Cola), teve repercussão mundial, pois o preço do
barril foi praticamente quadruplicado. Há trinta anos atrás,
o mundo já girava em torno de petróleo, novas reservas de
petróleo e mais petróleo. E com isso, uma quebradeira geral
ameaçava atingir os setores que dependiam do produto, como, por
exemplo, as indústrias de brinquedos, que utilizam plástico
em larga escala nas suas criações.
Geobra, uma empresa alemã, não estava fora desse pânico
geral: ela tinha finalmente apostado na produção de carrinhos
de plástico, depois de anos trabalhando com produtos e brinquedos
de metal (a empresa existe desde 1876). Sua produção, então,
estava ficando muito cara devido à crise internacional, e, correndo
o risco do fechamento das portas da empresa, o atual presidente Horst
Brandstätter (um cidadão responsável pelo enorme sucesso
dos bambolês, nos anos 50) saiu em busca de alguma coisa que salvasse
sua produção. Hans Beck, o chefe de desenvolvimento e criação
da companhia, foi quem achou essa salvação, ao ver ali a
oportunidade para pôr em prática uma idéia que já
tinha há algum tempo. Foi então que ele deve ter dito: "por
que não diminuir o tamanho dos nossos brinquedos? Daí a
gente economiza plástico, e aposto que as crianças nem vão
reparar" (isso foi licença poética minha). Assim, pequenos
bonecos de plástico, com vários objetos adequados ao seu
tamanho começaram a ser fabricados. Mas é claro que não
foi tudo tão simples assim: os caras eram profissionais, e pesquisaram
bastante para investirem nesse novo brinquedo. Para terem uma base de
como projetar a nova coleção, foram analisados desenhos
de crianças - daí, baseado nesses desenhos, nasceu o modelo
conhecido hoje: dois olhos e uma boca sorridente, pintados numa cabeça
ligeiramente desproporcional. Simples assim.
O Playmobil mendigo: a superpopulação
já causou problemas sociais
Um ano depois, já estavam sendo exportados para outras partes
do mundo. Aqui no Brasil, chegaram em 1976, mesmo ano em que surgiram
as primeiras mulheres-playmobil. Em 1981, nasceram as primeiras crianças
e bebês, com seus 5,5 e 3,5 centímetros de altura, respectivamente.
Os acessórios viraram parte quase indispensável da coleção
toda - bem diferentes entre si - sejam eles armas, uniformes, veículos,
ferramentas de serviço ou canequinhas de chopp.
Se, com aquele cabelo de plástico removível, seu corpitcho
quadrado e seu rosto sem nariz, os Playmobils perdem para as Barbies e
suas concorrentes femininas no quesito beleza e sofisticação,
em outra área o páreo é complicado: a quantidade
de miniaturas criadas para completar o universo dos bonequinhos é
imensa. A coleção infinitesimal da família Playmobil
conta com diversos cenários, como prisões, navios pirata,
naves espaciais, cidades completas, fazendas, Velho Oeste, Arca de Noé,
etc. etc. etc. E esses cenários vêm sempre acompanhados dos
seus habitantes, os membros mais felizes da coleção (felizes,
sim - já viu um Playmobil deprimido?).
A Arca de Noé dos Playmobils
O Playmobil pirata é o favorito de Hans Beck, que tem, hoje,
74 anos - ele já se aposentou, e hoje colhe os frutos de sua criação.
E que frutos! Para se ter uma idéia, hoje a população
de Playmobils é acrescida de 4 milhões de peças que
nascem diariamente, e podem ser encontrados em lares do mundo inteiro
aproximadamente 1,7 bilhões de bonecos - ou seja, se formassem
um país, teriam mais habitantes que a China! E, dizem, se todos
esses habitantes resolvessem um belo dia brincar de roda e dessem as mãos
uns aos outros, seriam capazes de dar duas volta completas no planeta
Terra. Nada mal, se lembrarmos do tamanho dos bonequinhos, não?
:: NO BRASIL
Aqui, quem adotou a família em miniatura, em 1976, foi a Trol
("Bom motivo para ser criança", lembram?), extinta empresa
de Dílson Funaro (ministro da Fazenda na época do Sarney),
que produziu muitos presentes de Natal para a criançada dos anos
80. Com o falecimento de Funaro, a empresa acabou falindo e fechando suas
portas - e com ela, foram levados os Playmobils. No início da década
de 90, a Estrela trouxe de volta da Alemanha a febre, já renovada
e reformatada. Pouco depois, quando a Estrela andou perdendo a concessão
de alguns brinquedos (entre eles a da Barbie), os Playmobils foram varridos
do mercado novamente, em 1998.
:: FESTA DE 30 ANOS
Para comemorar os trinta anos do Playmobil, um museu na Alemanha fez
uma exposição em sua homenagem, contando sua história
- apresentando modelos dos bonequinhos, do primeiro protótipo até
as mais modernas invencionices. Escolha um cenário ou uma profissão
quaisquer, como um circo ou um jardineiro. Pode ter certeza de que as
chances deles já terem sido transportados para o pequeno mundo
do Playmobil é grande. Da década de 70 para cá, já
foram lançados mais de 600 modelos diferentes dos bonequinhos,
que, apesar das mudanças de figurino, conservam a mesma base de
trinta anos atrás - com algumas pequenas evoluções,
como por exemplo a articulação das mãos e dos pés,
e a possibilidade de segurar objetos com suas mãozinhas, coisas
que não possuíam no início.
A exposição contou com a contribuição de
diversos colecionadores, que, fornecendo seus "preciosos", conseguiram
formar inclusive um circo enorme, com prédios e centenas (isso
mesmo, centenas!) de funcionários-playmobil. Isso sem contar a
simulação de uma guerra com 5 mil e duzentos playmobils
de uma coleção particular.
Playmobil versão
Uma das justificativas para esse sucesso é que a empresa sabe
que os brinquedos tradicionais e simples sempre têm um público
(as crianças menores ainda se sentem mais atraídas por bonequinhos
de plástico do que por videogames), e não aposta em figuras
da moda, que costumam sugar boa parte do lucro com o preço de seu
licenciamento - sem esquecer também de sua constante renovação,
sempre lançando novidades no mercado. A empresa também tem
lá suas estratégias: como crianças muito pequenas
não se davam muito bem com as peças "engolíveis",
já foi criada uma linha especial para elas, com peças maiores.
Outro exemplo é o investimento do Playmobil no mercado para meninas,
que até então representam apenas 30% do público do
brinquedo.
Os bonequinhos cresceram, se multiplicaram e povoaram a Terra, derrubando
as barreiras dos preconceitos sofridos pelos "meros" brinquedos
em miniatura - adentraram até o universo dos softwares (a Ubbi
Soft Entertainment lançou aqui no Brasil, em 2002, jogos virtuais
para crianças pequenas, com os Playmobils como protagonistas).
Mas o maior salto do Playmobil talvez tenha sido seus parques temáticos.
Sim, são ao todo seis parques temáticos, chamados Playmobil
Funparks - dois nos EUA, um na Grécia, um na França, um
em Malta e um em Zirndorf, na Alemanha. O parque alemão é
o mais completo, com 90 mil metros quadrados, e dividido entre 6 áreas
temáticas (como, por exemplo, castelo medieval ou barco pirata),
contando com bonecos Playmobil pouco maiores que uma criança real,
em meio a cenários do mesmo estilo do brinquedo.
Diversas gerações ainda se encantam com as possibilidades
do Playmobil. Os mais velhos autodenominam-se colecionadores, os mais
novos que tiveram a sorte de herdar as coleções dos parentes
mais velhos não têm vergonha de armar brincadeiras com os
personagens. Agora, os ainda mais novos acabarão por encontrá-los.
Fonte do box: A
Arca
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Segundo
reportagem do jornal Valor Econômico, a venda dos Playmobils - sumidos
das prateleiras do País há cinco anos, quando a Estrela parou de fabricar os bonequinhos
- ainda é pequena. "Muitos ainda não descobriram que o brinquedo está de volta",
afirma Renato Vacinaletti, diretor administrativo da Calesita.
Os
Playmobils eram aqueles bonecos nanicos de 7 centímetros e meio de
altura, guardados com cuidado ao lado de seus objetos montáveis (que
teimavam em desaparecer misteriosamente, às vezes engolidos pelo
seu irmão caçula, certo?). Às vezes eles faziam umas
pontas improvisadas nas brincadeiras de Barbie, na falta das Chuquinhas
ou de Kens, isso é fato. Mas, quando entravam em brincadeiras onde
eram protagonistas, viravam as estrelas. Com seus milhares e coloridos apetrechos
em miniatura, era como brincar de casinha, para as meninas, e de bonequinho,
para os meninos (daí todo mundo brincava sem culpa).
Logo
na feira de Nuremberg, que marcou sua estréia no mercado, a novidade
já começou a fazer sucesso entre a criançada e seus
pais, apesar de ter sido meio que ignorada pelos grandes fabricantes.
Mesmo assim, a Geobra continuou investindo na sua nova aposta, e se deu
bem. Em 1974, os primeiros Playmobils viram a luz do sol e das estantes
das lojas de brinquedo. No início, os modelos eram simples, mas
já eram temáticos: os primeiros representavam índios
norte-americanos, operários e cavaleiros da Idade Média.
A idéia do Playmobil é simplíssima: não fosse
o fato de um ter um cocar, outro usar um capacete e o terceiro carregar
um elmo, e a cor do seu figurino, eles seriam idênticos.
Até
hoje, o Playmobil resiste, firme e forte, lá fora, sem interromper
sua produção, mesmo diante das inovações tecnológicas
feitas para atrair a geração 90. É só comparar:
fabricantes internacionais de brinquedo como a Mattel vez por outra enfrentam
quedas no seu lucro, enquanto a Playmobil não pára de crescer
em seu país natal (e fora dele). A Geobra continua responsável
pela sua produção, ao lado de seus produtos metálicos
- e os bonequinhos representam nada menos que 99% de seu faturamento anual.














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