No Giro da Bola - 12a. Edição Imprimir E-mail
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02-Abr-2009

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Amigo leitor, você verá nesta décima segunda edição a goleada do Botafogo sobre o Flamento em 1972 e o Onze de Ouro, time criado pelos funcionários da Fábrica de Tecidos Sarmento. Com vocês "No Giro da Bola, com Nei Medina".

 

 

ney_medina.jpgSou Nei Medina, fui um modesto cabeça de área. Pela Rádio Difusora,  participo das jornadas esportivas como comentarista e, nas extintas TV Publicidade e TV WS, apresentei durante 1 ano o programa NO GIRO DA BOLA que deu origem a esta coluna. Aqui, resgatarei os fatos marcantes do esporte mundial, através de fotos ("Em algum lugar do passado"),  áudios de gols ou vídeos esportivos ("Flashback do futebol") e também meus comentários sobre qualquer modalidade esportiva ("Pelo andar da carruagem"), além de destacar as principais competições esportivas de nossa cidade e região.

 

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ONZE DE OURO

Com o intuito de fazer alguma atividade física, em 1964, os funcionários da extinta Fábrica de Tecidos Sarmento criaram o time de futebol ONZE DE OURO.

Entre os fundadores estão José Augusto Muniz, Sebastião Eliziário, José Valentino Alves e Paulo Gotti.  Entrevistamos Paulo Gotti, onde o mesmo nos relatou que o time treinava no campo do Palestra, localizado nas proximidades do cemitério (casas populares), e os diretores da Fábrica de Tecidos queriam que o time se chamasse  Industrial Futebol Clube para acompanhar as atividades da Fábrica que na verdade era uma Indústria.  A turma não gostou muito, pois, o Sebastião Eliziário, em uma de suas visitas ao Rio de Janeiro, havia conhecido um simpático time com as cores amarelo e azul com o nome de Onze de Ouro. Chegando do Rio, o Sebastião sugeriu que o nome do time fosse Onze de Ouro, mas os outros companheiros disseram que seria difícil mudar o nome, pois, os diretores da Fábrica haviam doado o uniforme e a bola de jogo. Em resumo, por decisão da maioria dos integrantes, o time passou a se chamar Onze de Ouro.

A primeira formação do time foi: Nico “Barbeiro” no gol, Galileu Alves zagueiro direito e Viola zagueiro pela esquerda.  A linha de meio campo era formada pelo José Valentino Alves, José Augusto Muniz e José Moisés do Nascimento.  A linha de frente era João Batista Mendes “batista marcineiro”, Geraldo Magela “locutor da Rádio Difusora”, Sebastião “mandioqueiro”, Cláudio “vila nova” e  Orlandinho.

Segundo Paulo Gotti, o time não tinha “status”  de grande força no futebol de São João, pois, a maioria de seus atletas era de “segunda linha”.  O time não foi filiado Liga de Futebol de São João, portanto, nunca participou de campeonatos Municipais, somente realizando amistosos.

Um ponto positivo na história do Onze de Ouro foi o convite para inaugurar o campo do Triângulo de Tocantins e o ponto negativo foi a goleada sofrida frente à equipe do Flamenguinho Goianá pelo placar de 13 x 0. Conforme descrição do Paulo Gotti, como os dirigentes do Flamenguinho acreditavam que o Onze de Ouro era uma potência em São João, eles fizeram uma seleção envolvendo os melhores jogadores do Prainha e do XV de Novembro. Deu no que deu, 13 x 0.

O Onze de Ouro foi extinto em 1976, devido à destruição de seu campo de treino para a construção das casas populares. Conforme relato do Paulo Gotti, o time buscou ajuda junto aos co-irmãos Operário, Mangueira e Botafogo, para que os atletas pudessem treinar, mas não houve boa vontade dos diretores desses times em ceder o campo para treinamento. Diante deste fato, o treinador do Onze de Ouro, Sebastião Eliziário, achou por bem acabar com o time ou aguardar uma outra solução.

Como não houve definição, os jogadores começaram a procurar outros clubes e o tradicional Onze de Ouro foi extinto.

Abaixo, uma foto do Onze de Ouro (1970) e outra do entrevistado o senhor Paulo Gotti.

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Onze de Ouro: de pé - Vinagre, Milton, Memeu, Jair Oncinha, Domingos ,
Zé Pretinho e Sr. Muniz. Braz Peru, Pilintra, Anginho, Carlinho Rebarba e Batista

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Paulo Gotti

 

 

 

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BOTAFOGO 6 x 0 FLAMENGO

Na noite do dia 14 de novembro de 1972, o folclórico Carlito Rocha, ex-jogador, presidente e benemérito do clube, teve um sonho: o seu Botafogo iria aplicar uma goleada histórica no Flamengo, seu maior rival.

No dia seguinte, 15 de novembro, feriado nacional e aniversário do Flamengo, o Maracanã assistiu à maior goleada do time de General Severiano sobre o rubro-negro: 6 x 0. Uma goleada humilhante, que certamente Zagalo, técnico do Flamengo, nem sonhou sofrer um dia.

O técnico do Botafogo era o humilde Leônidas, bicampeão carioca em 1967 e 1968, sob o comando do próprio Zagalo, então técnico do Botafogo. Cao; Mauro Cruz, Valtencir, Osmar e Marinho Chagas; Nei Conceição, Carlos Roberto e Ademir; Zequinha, Jairzinho e Fischer era o time alvinegro.

Jairzinho fez 1 x 0 aos 15 minutos do primeiro tempo, chutando forte no ângulo esquerdo de Renato, depois de uma rebatida fraca de Tinho. O segundo gol, aos 35 minutos, veio com um passe de Jairzinho para Zequinha, que foi à linha de fundo e centrou para o chute fulminante do centroavante argentino Fischer. Seis minutos depois, o mesmo Fischer faz 3 x 0, completando de cabeça um cruzamento de Zequinha.

Desesperado, Zagalo tenta reagir no segundo tempo, substituindo Rogério por Caio Cambalhota e com Mineiro em lugar de Zanata. Mas não adiantou. A defesa se abriu ainda mais e Jairzinho e Fischer faziam a festa do ataque botafoguense. Aos 23 minutos, Jairzinho recebeu de Zequinha, fez corta-luz com Fischer e emendou no canto direito de Renato. A torcida do Botafogo foi à loucura. A do Flamengo, muda e estática, não acreditava no que estava acontecendo.

O quinto gol foi marcado por Jairzinho, aproveitando outra vez um passe de Zequinha e concluindo de letra. Era demais para o Flamengo. A torcida do Botafogo gritava " Chega, chega" , gozando o adversário. Para fechar a goleada, o grandalhão Ferreti, que momentos antes havia entrado no lugar de Fischer, faz o sexto gol do Botafogo como manda o figurino.
Para ninguém esquecer mais.

Ficha técnica:

Botafogo 6 x 0 Flamengo
Data: 15 de novembro de 1972
Local: Maracanã
Público: 46.279
Árbitro: José de Assis Aragão
Gols: Jairzinho aos 9′, Fischer aos 35′e aos 41′, Jairzinho aos 68′ e 83′ e Ferretti aos 87.
Botafogo: Cao, Mauro, Valtencir, Osmar e Marinho; Nei e Carlos Roberto; Zequinha, Fisher, depois Ferretti, Jairzinho e Ademir, depois Marco Aurélio.
Flamengo: Renato, Moreira, Chiquinho, Tinho e Rodrigues Neto; Liminha e Zanata, depois Mineiro; Rogério, depois Caio, Fio, Humberto e Paulo César.

Foram quase 9 anos de gozações alvinegra. Durante todo esse período, nos clássicos entre Botafogo e Flamengo, a torcida alvinegra sempre mostrava a faixa relembrando os 6 a 0.

Ouça os gols: 

 

 

   

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E o Botafogo? Depois de vencer a Taça Guanabara, caminha a passos largos para perder a decisão final do campeonato.

Está caindo de produção e não apresenta sinais de que possa reagir.

Agüenta coração alvi-negro!

Abraços.

 

por Nei Medina

 

 

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