Amigo leitor, você verá nesta décima segunda edição a goleada do
Botafogo sobre o Flamento em 1972 e o Onze de Ouro, time criado pelos
funcionários da Fábrica de Tecidos Sarmento. Com vocês "No Giro da Bola, com Nei Medina".
Sou Nei Medina, fui um modesto cabeça de área. Pela Rádio Difusora, participo das jornadas esportivas como comentarista e, nas extintas TV Publicidade e TV WS, apresentei durante 1 ano o programa NO GIRO DA BOLA que deu origem a esta coluna. Aqui, resgatarei os fatos marcantes do esporte mundial, através de fotos ("Em algum lugar do passado"), áudios de gols ou vídeos esportivos ("Flashback do futebol") e também meus comentários sobre qualquer modalidade esportiva ("Pelo andar da carruagem"), além de destacar as principais competições esportivas de nossa cidade e região.
ONZE DE OURO
Com o intuito de fazer alguma atividade física, em 1964, os funcionários da extinta Fábrica de Tecidos Sarmento criaram o time de futebol ONZE DE OURO.
Entre os fundadores estão José Augusto Muniz, Sebastião Eliziário, José Valentino Alves e Paulo Gotti. Entrevistamos Paulo Gotti, onde o mesmo nos relatou que o time treinava no campo do Palestra, localizado nas proximidades do cemitério (casas populares), e os diretores da Fábrica de Tecidos queriam que o time se chamasse Industrial Futebol Clube para acompanhar as atividades da Fábrica que na verdade era uma Indústria. A turma não gostou muito, pois, o Sebastião Eliziário, em uma de suas visitas ao Rio de Janeiro, havia conhecido um simpático time com as cores amarelo e azul com o nome de Onze de Ouro. Chegando do Rio, o Sebastião sugeriu que o nome do time fosse Onze de Ouro, mas os outros companheiros disseram que seria difícil mudar o nome, pois, os diretores da Fábrica haviam doado o uniforme e a bola de jogo. Em resumo, por decisão da maioria dos integrantes, o time passou a se chamar Onze de Ouro.
A primeira formação do time foi: Nico “Barbeiro” no gol, Galileu Alves zagueiro direito e Viola zagueiro pela esquerda. A linha de meio campo era formada pelo José Valentino Alves, José Augusto Muniz e José Moisés do Nascimento. A linha de frente era João Batista Mendes “batista marcineiro”, Geraldo Magela “locutor da Rádio Difusora”, Sebastião “mandioqueiro”, Cláudio “vila nova” e Orlandinho.
Segundo Paulo Gotti, o time não tinha “status” de grande força no futebol de São João, pois, a maioria de seus atletas era de “segunda linha”. O time não foi filiado Liga de Futebol de São João, portanto, nunca participou de campeonatos Municipais, somente realizando amistosos.
Um ponto positivo na história do Onze de Ouro foi o convite para inaugurar o campo do Triângulo de Tocantins e o ponto negativo foi a goleada sofrida frente à equipe do Flamenguinho Goianá pelo placar de 13 x 0. Conforme descrição do Paulo Gotti, como os dirigentes do Flamenguinho acreditavam que o Onze de Ouro era uma potência em São João, eles fizeram uma seleção envolvendo os melhores jogadores do Prainha e do XV de Novembro. Deu no que deu, 13 x 0.
O Onze de Ouro foi extinto em 1976, devido à destruição de seu campo de treino para a construção das casas populares. Conforme relato do Paulo Gotti, o time buscou ajuda junto aos co-irmãos Operário, Mangueira e Botafogo, para que os atletas pudessem treinar, mas não houve boa vontade dos diretores desses times em ceder o campo para treinamento. Diante deste fato, o treinador do Onze de Ouro, Sebastião Eliziário, achou por bem acabar com o time ou aguardar uma outra solução.
Como não houve definição, os jogadores começaram a procurar outros clubes e o tradicional Onze de Ouro foi extinto.
Abaixo, uma foto do Onze de Ouro (1970) e outra do entrevistado o senhor Paulo Gotti.
Onze de Ouro: de pé - Vinagre, Milton, Memeu, Jair Oncinha, Domingos ,
Zé Pretinho e Sr. Muniz. Braz Peru, Pilintra, Anginho, Carlinho Rebarba e Batista
Paulo Gotti
BOTAFOGO 6 x 0 FLAMENGO
Na noite do dia 14 de novembro de 1972, o folclórico Carlito Rocha, ex-jogador, presidente e benemérito do clube, teve um sonho: o seu Botafogo iria aplicar uma goleada histórica no Flamengo, seu maior rival.
No dia seguinte, 15 de novembro, feriado nacional e aniversário do Flamengo, o Maracanã assistiu à maior goleada do time de General Severiano sobre o rubro-negro: 6 x 0. Uma goleada humilhante, que certamente Zagalo, técnico do Flamengo, nem sonhou sofrer um dia.
O técnico do Botafogo era o humilde Leônidas, bicampeão carioca em 1967 e 1968, sob o comando do próprio Zagalo, então técnico do Botafogo. Cao; Mauro Cruz, Valtencir, Osmar e Marinho Chagas; Nei Conceição, Carlos Roberto e Ademir; Zequinha, Jairzinho e Fischer era o time alvinegro.
Jairzinho fez 1 x 0 aos 15 minutos do primeiro tempo, chutando forte no ângulo esquerdo de Renato, depois de uma rebatida fraca de Tinho. O segundo gol, aos 35 minutos, veio com um passe de Jairzinho para Zequinha, que foi à linha de fundo e centrou para o chute fulminante do centroavante argentino Fischer. Seis minutos depois, o mesmo Fischer faz 3 x 0, completando de cabeça um cruzamento de Zequinha.
Desesperado, Zagalo tenta reagir no segundo tempo, substituindo Rogério por Caio Cambalhota e com Mineiro em lugar de Zanata. Mas não adiantou. A defesa se abriu ainda mais e Jairzinho e Fischer faziam a festa do ataque botafoguense. Aos 23 minutos, Jairzinho recebeu de Zequinha, fez corta-luz com Fischer e emendou no canto direito de Renato. A torcida do Botafogo foi à loucura. A do Flamengo, muda e estática, não acreditava no que estava acontecendo.
O quinto gol foi marcado por Jairzinho, aproveitando outra vez um passe de Zequinha e concluindo de letra. Era demais para o Flamengo. A torcida do Botafogo gritava " Chega, chega" , gozando o adversário. Para fechar a goleada, o grandalhão Ferreti, que momentos antes havia entrado no lugar de Fischer, faz o sexto gol do Botafogo como manda o figurino.
Para ninguém esquecer mais.
Ficha técnica:
Botafogo 6 x 0 Flamengo Data: 15 de novembro de 1972 Local: Maracanã Público: 46.279 Árbitro: José de Assis Aragão Gols: Jairzinho aos 9′, Fischer aos 35′e aos 41′, Jairzinho aos 68′ e 83′ e Ferretti aos 87. Botafogo: Cao, Mauro, Valtencir, Osmar e Marinho; Nei e Carlos Roberto; Zequinha, Fisher, depois Ferretti, Jairzinho e Ademir, depois Marco Aurélio. Flamengo: Renato, Moreira, Chiquinho, Tinho e Rodrigues Neto; Liminha e Zanata, depois Mineiro; Rogério, depois Caio, Fio, Humberto e Paulo César.
Foram quase 9 anos de gozações alvinegra. Durante todo esse período, nos clássicos entre Botafogo e Flamengo, a torcida alvinegra sempre mostrava a faixa relembrando os 6 a 0.
Ouça os gols:
E o Botafogo? Depois de vencer a Taça Guanabara, caminha a passos largos para perder a decisão final do campeonato.
Está caindo de produção e não apresenta sinais de que possa reagir.
Agüenta coração alvi-negro!
Abraços.
por Nei Medina
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