Os Melhores Do Mundo
Libertadores.
Embarcaste naquela viagem.
Tantos anos esperando e aquela aventura estava ali, posta a teus pés. Era uma estrada que se apresentava diante de ti. Tu disseste “presente” e colocaste-te a postos e foste à luta. Puseste-te em guarda para qualquer batalha por aquela causa.
Nada passava ainda de um sonho. Mas tu embarcaste feliz, como quem se alista para uma guerra em defesa a um país. Não sabias o que o futuro nos reservava. Não importava. Nada importava. Fé havia, sim, mas fé, esperança, ainda não eram a tônica, naquele momento. O que imperava ainda era o vigor, a raça, a garra, a luta... Todas as coisas que o grená de nossa bandeira representa.
Convenhamos, viveste emoções. Viveste alegrias. Mas merecias muito mais.
Fizeste as mais belas festas que o estádio do Maracanã já presenciou em toda sua história. Foste herói, foste soldado, foste forte, foste grande. Tu, torcedor do Fluminense, mostraste o que é, de fato, ser um torcedor de futebol, com arte, sem violência, com beleza e sem histerias. Foste tudo o que um time precisa de seus adeptos.
E foste grande, sempre. Foste implacável em sua paixão inabalável.
Assim, sucederam-se as fases da competição. Estavas lá, presente, junto, sentinela, alerta, pronto para qualquer batalha.
Viste vitórias simples e vitórias heróicas. Algumas poucas derrotas. Mas sempre mostraste um ímpeto de campeão.
Até o momento em que o sonho ficava próximo demais. Real demais. Era a vez do verde da nossa bandeira. O verde da esperança. O torcedor do Fluminense acreditava na conquista.
Proporcionaste ao Brasil e às Américas grandes espetáculos de criatividade. Seja no brilho, seja nas cores, seja nas canções, seja na paixão exacerbada. Hoje todo o Brasil sabe e toda a América sabe que não há nenhuma torcida mais bela e guerreira que a do Fluminense.
Foste guerreiro na Argentina, no Paraguai, na Colômbia, no Equador e em São Paulo. Mas nada se compara ao que se viu no Maracanã. Tornaste pequeno o maior estádio do mundo. Fizeste-o brilhar. Fizeste-o pulsar.
Porém nem tudo estava no lugar. Tiveste o grande dissabor ao constatar que as pessoas que hoje dirigem o Fluminense não vivem a realidade da torcida. Não comungam da mesma paixão que tu trazes no coração.
Foste submetido à grande fraude da “venda” dos ingressos. Foste humilhado, em tese, pelo próprio clube que tanto amas. Não, não pelo clube, mas pelas pessoas que hoje o dirigem e que, se tivermos sorte, deixarão as Laranjeiras, o mais breve possível.
Foste em vão para as filas nas madrugadas. Foste vítima de uma farsa. Foste traído.
Mas não esmoreceste. Não te arrependeste, pois sabias e ainda sabes que nenhum sacrifício te demoveria daquele objetivo de estar lá, junto das cores que tanto amas.
Veio a partida final no Maracanã. A festa que fizeste foi a mãe de todas as festas já feitas no futebol. És grande, Tricolor! És herói, és guerreiro, és incomparável!
Veio a dor da derrota. Veio a grande amargura em constatar que, no final da viagem, teu destino foi desviado. Teu sorriso foi apagado. Uma crueldade do destino, difícil de acreditar.
Enfrentas hoje a amargura da perda. Faltou a paz que o branco da bandeira representa. Não há paz. Buscas um porto. Procuras o chão que te arrancaram. Sentes no peito uma dor profunda. No momento atual, parece mesmo a dor de uma derrota. Mas não é, amigo Tricolor. Não para ti, guerreiro. Tu não conheces a derrota. Vem o cansaço, claro. Absolutamente normal. É esperado que depois de tão longa jornada com um desfecho tão injusto, sejamos bafejados pelo desânimo.
Mas tu sabes que não desanimarás. Não é o teu feitio. E ao primeiro chamado estarás lá, novamente, a postos e em guarda.
Tricolor, esta é uma singela homenagem a ti. Na segunda pessoa, na pretensão de demonstrar o profundo e sincero respeito por ti.
Tu, torcedor do Fluminense, terás tua recompensa. Ela não tardará, acredita! Não comemoraste este título do clube. Mas saibas que és campeão. O torcedor do Fluminense é o melhor de todos. É campeão do Brasil, das Américas e do Mundo.
Carlos Alberto Freitas Jr